A Prefeitura de João Pessoa, através da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPPM), iniciou, nesta quarta-feira (4), uma capacitação sobre violência doméstica contra as mulheres para os novos servidores da Guarda Civil Metropolitana e equipe que compõe a Ronda Maria da Penha. Com o tema ‘IV Capacitação Técnica sobre Violência Doméstica e Intrafamiliar contra as Mulheres e seus Mecanismos de Enfrentamento’, o curso acontece até esta quinta-feira (5), das 8h30 às 17h, no Fórum Cível, localizado na Avenida João Machado, no bairro Jaguaribe.


A capacitação aborda temas como Lei Maria da Penha, o papel da polícia e do Poder Judiciário no contexto de violência doméstica contra a mulher e linhas de atuação da equipe técnica e operacional da Guarda Civil Metropolitana de João Pessoa.
“Estamos na quarta capacitação de violência contra a mulher e esta tem uma conotação especial, porque estamos recebendo os recém empossados na Guarda Civil Metropolitana. Uma equipe nova que precisa já entrar ciente do seu dever, do seu papel no combate à violência contra a mulher. Então, uma equipe preparada tem maior aptidão para abraçar, proteger e defender as mulheres de forma mais eficiente. Esse é nosso papel hoje, capacitar, treinar, e botar na rua guardas preparados para combater a violência contra a mulher, combater o feminicídio”, destaca a coordenadora da Ronda Maria da Penha de João Pessoa, Ellen Maciel.


Segundo ela, é importante que quem trabalha na pauta da mulher tenha um olhar sensível, acolhedor. “A pauta da mulher está cada dia mais forte, mais próxima de todos nós e é dever de todos cuidar, acolher e proteger essas mulheres, e até mais, a família por inteiro”, ressaltou.
Para a chefe de ações da Ronda Maria da Penha, Erika Ramalho, as capacitações são importantes na formação dos novos guardas civis. “São capacitações muito importantes para o nosso desenvolvimento institucional, porque busca aprimorar as habilidades técnicas e nossa orientação jurídica em relação à legislação de combate à violência contra a mulher. Precisamos saber como resolver uma ocorrência de violência doméstica, o que fazer, o que não fazer, principalmente o cuidado em não revitimizar essa mulher, focando no acolhimento e na resolutividade do caso e com seus encaminhamentos”, afirmou.


A psicóloga mestra em Neurociência Cognitiva e Comportamental pela Universidade Estadual de Campina Grande (UFCG), Géssica Freitas, palestrante, afirma que a violência contra a mulher é um problema grave de saúde pública. “Estudos têm mostrado, inclusive meu mestrado em Neurociência com essa temática, que as mulheres são acometidas por transtornos mentais, principalmente estresse pós-traumático, alterações em funções cognitivas, como memória, atenção, linguagem, e isso vai refletir em mudanças neurofisiológicas. Isso contribui, muitas vezes, para essa mulher continuar no ciclo da violência. A partir do momento em que os guardas civis metropolitanos têm acesso a esse conhecimento, eles vão conseguir atuar de uma maneira mais humanizada, não julgando, não criticando essa mulher, acolhendo a partir de todos esses problemas que ela já traz”, explicou.
Também palestram Eliomara Correa Abrantes, advogada mestra em Direito Internacional; Sileide Azevedo, delegada coordenadora das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher da Paraíba (Coordeam/PB); Graziela Queiroga, juíza e coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB); e Erika Ramalho, chefe de Operação da Guarda Civil Metropolitana de João Pessoa.
Depoimentos – Samara Nascimento, guarda civil metropolitana, afirma que essa capacitação é um tema muito relevante. “No primeiro momento vem a parte reflexiva, pensar no tema, e esse conhecimento a gente leva não só para o nosso trabalho, mas para a vida e também para a sociedade. Podemos agir como multiplicadores desse conhecimento com familiares, amigos, vizinhos. É uma rede de apoio que a gente está construindo em prol do cuidado com a mulher”, ressalta.



Samuel Inocêncio, 36 anos, acredita que as informações na capacitação são importantes porque darão uma visão abrangente de situações que eles irão enfrentar nas ruas. “Estou achando muito importante porque são temas que a gente vai lidar bastante no nosso dia a dia. A gente pega casos com mulheres em situações de vulnerabilidade, principalmente em situações de violência doméstica e a capacitação vai orientar de como a gente deve agir em campo, a exemplo de não revitimizar a pessoa que está sofrendo essa situação, conversar, tentar minimizar os danos em cada situação”, revelou.
Já Cryslayne Silva considera que a palestra é muito enriquecedora. “As ações da Ronda Maria da Penha são muito importantes para a Guarda Civil Metropolitana. Não só pra Guarda, mas pra sociedade, principalmente pra parcela da população que sofre com violência numa cidade que só cresce. O tema da violência contra a mulher é um tema atual, que infelizmente, só cresce”, lamentou.
Programação desta quinta-feira – De acordo com informações da SPPM, a programação será aberta às 8h30 com a palestra: ‘O papel do Judiciário no contexto de violência doméstica contra a mulher’, ministrada por Graziela Queiroga, juíza e coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJPB.
À tarde, a partir das 13h, o tema da palestra é a ‘Lei Municipal Ronda Maria da Penha e as linhas de atuação da equipe técnica’, ministrada por Ellen Maciel, advogada e coordenadora do Programa Ronda Maria da Penha de João Pessoa. Na sequência, às 15h, o tema será ‘Linhas de atuação da equipe operacional da Guarda Civil Metropolitana de João Pessoa’, ministrada por Erika Ramalho, chefe de Operação da Guarda Civil Metropolitana de João Pessoa.
Rede de acolhimento para mulheres em situação de violência:
Centro de Referência da Mulher Ednalva Bezerra
Endereço: Rua Afonso Campos, nº 111 – Centro
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 16h
Contato: (83) 98695-3549 (WhatsApp) ou 0800-283-3883
Ronda Maria da Penha
Atendimento: Centro de Referência da Mulher Ednalva Bezerra
Contato: (83) 3213-7355
Canais de denúncia:
180 – Central de Atendimento à Mulher
190 – Polícia Militar
197 – Polícia Civil
153 – Ronda Maria da Penha












