A Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de João Pessoa (Sedhuc), por meio da Diretoria de Assistência Social (DAS) e da Proteção Social Especial de Média Complexidade (PSEMC), realizou, na manhã desta quarta-feira (29), no Creas I, a Roda de Diálogo com famílias atendidas pelo Programa de Guarda Subsidiada (PGS). Com o tema “Fortalecendo Laços: Os Impactos do Programa de Guarda Subsidiada na Vida das Famílias”, o encontro reuniu beneficiários e equipe técnica em um momento de escuta, acolhimento e troca de experiências.

A iniciativa teve como objetivo fortalecer os vínculos familiares e comunitários, valorizando o protagonismo das famílias guardiãs e reconhecendo o papel fundamental que desempenham na proteção, no cuidado e no desenvolvimento de crianças e adolescentes acolhidos pelo programa.


Durante o encontro, os participantes compartilharam histórias marcadas por superação e afeto, demonstrando como o Programa de Guarda Subsidiada tem contribuído para garantir o direito à convivência familiar de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.



A coordenadora da Vigilância Socioassistencial da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadani,a Eulália Sombra, destacou que ouvir as famílias é essencial para o fortalecimento das políticas públicas. “Uma política pública só alcança sua verdadeira finalidade quando consegue ouvir as pessoas para as quais foi criada. Cada relato fortalece o planejamento, o monitoramento e a avaliação dos serviços socioassistenciais, permitindo uma gestão mais sensível, participativa e baseada nas necessidades reais das famílias. Mais do que uma atividade institucional, esta roda de diálogo representa um momento de valorização das famílias guardiãs, que desempenham um papel fundamental na garantia do direito à convivência familiar e comunitária”, comentou.
Histórias de amor e recomeços – Entre os relatos compartilhados esteve o da jovem Camila da Silva Mateu, de 21 anos, que há um ano assumiu a guarda subsidiada da sobrinha, hoje com um ano e oito meses. A criança foi acolhida após ser vítima de maus-tratos e passar por um período de acolhimento institucional.
Camila contou que a decisão transformou completamente sua vida. “Para mim foi uma maravilha. Deus ajudou bastante a mim e à minha filha. Eu peguei ela quando ela tinha só quatro meses e ela é a bênção da minha vida. Eu não aguentava deixar ela lá. Ela foi muito judiada e eu queria ter conseguido tirá-la daquela situação antes”, compartilhou.
Ela também ressaltou a importância do acompanhamento realizado pela equipe técnica do programa. “O atendimento é excelente. Sempre que temos dúvidas eles orientam, fazem visitas e acompanham tudo de perto. A gente sente que não está sozinho. Além do auxílio financeiro, esse apoio faz toda a diferença para quem assume uma responsabilidade tão grande”, falou.
Ao lado de Camila durante toda essa trajetória está o esposo, Wenderson Marques, que também participou da roda de diálogo e falou sobre a experiência de ampliar a família. “Eu sempre dei total apoio nessa caminhada. Eu já tinha um casal de filhos, de outro relacionamento, e ela chegou como uma bênção. O que existe é amor. O resto a gente corre atrás, trabalha e batalha para conquistar”, relatou.
A psicóloga do Creas I, Cynthia Maclane Linhares que acompanha a família desde o início do processo, explicou que o trabalho começou quando Camila procurou o serviço manifestando o desejo de assumir a guarda da sobrinha. Segundo ela, foi necessário um acompanhamento cuidadoso para compreender o contexto familiar e fortalecer a jovem para essa nova responsabilidade.
“Quando Camila chegou ao Creas, ela estava muito fragilizada emocionalmente. Existiam dúvidas sobre a possibilidade de a família extensa assumir os cuidados da criança, então iniciamos um estudo de caso para compreender toda a dinâmica familiar. Ouvimos o companheiro, os familiares e buscamos entender se havia uma rede de apoio capaz de garantir um ambiente seguro para essa menina”, explicou a psicóloga Cynthia Maclane Linhares.
A psicóloga destacou que o acompanhamento envolveu escuta qualificada, visitas e articulação com a rede de proteção, sempre priorizando o direito da criança à convivência familiar. “A institucionalização é sempre a última estratégia. Nosso objetivo era fortalecer essa família para que pudesse receber a criança. Aos poucos, vimos Camila ganhar confiança e transformar o desejo de cuidar da sobrinha em um projeto de vida. O companheiro também demonstrou compromisso e assumiu esse cuidado junto com ela. Hoje percebemos uma família fortalecida, que oferece amor, proteção e condições para que essa criança cresça em um ambiente saudável”, concluiu.
Fortalecimento da rede de proteção – Além de promover a troca de experiências entre as famílias, a roda de diálogo permitiu que a equipe técnica refletisse, junto aos participantes, sobre os desafios e avanços do Programa de Guarda Subsidiada, fortalecendo estratégias de acompanhamento e qualificação do serviço.
O encontro integra as ações permanentes de acompanhamento do programa e reafirma o compromisso da Prefeitura de João Pessoa, por meio da Sedhuc, com uma assistência social participativa e comprometida com a garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Por meio da Guarda Subsidiada, famílias extensas ou ampliadas que assumem judicialmente a responsabilidade por crianças e adolescentes recebem acompanhamento psicossocial contínuo e apoio financeiro, contribuindo para que esses meninos e meninas permaneçam em um ambiente familiar seguro, afetivo e protegido, evitando a institucionalização sempre que possível.


