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Jornalistas sofreram mais de 14 mil ataques no 1º turno das eleições

Jornalistas sofreram mais de 14 mil ataques no 1º turno das eleições

Na reta final, os ataques aumentaram, chegando, na última semana antes das eleições, a uma média de 327 ataques por dia. Quando analisados os ataques direcionados a profissionais específicos, as jornalistas mulheres foram os principais alvos, concentrando 64,8% das agressões. 

Para a Coalizão em Defesa do Jornalismo, o relatório mostra um cenário preocupante.

“O resultado disso afeta não somente as vítimas diretas dos ataques, mas gera um prejuízo coletivo à sociedade, pela tentativa de silenciar o trabalho de jornalistas que têm um papel fundamental na democracia, ainda mais evidente no período eleitoral”, acrescenta, Kleim. 

Ao todo, foram analisados 3,7 milhões de conteúdos digitais. Durante 50 dias, a pesquisa acompanhou conteúdos relacionados às eleições no X e no Instagram, com o monitoramento de 652 termos e hashtags ofensivos.

Os dados mostram que as ofensas aumentaram à medida que o dia das eleições se aproximava. Os registros cresceram de 2.630 casos na primeira quinzena para 4,4 mil na segunda, o que representa aumento de 67,3%. Na última semana, cresceram mais 3,1%, chegando a 4.537 ocorrências, o equivalente a 327 ataques diários.

Segundo o levantamento, parte das mensagens procurava desacreditar não apenas informações específicas, mas os próprios profissionais e veículos responsáveis por divulgá-las. Expressões como “fake news”, “jornalista militante”, “imprensa golpista” e acusações de manipulação de pesquisas apareceram nos conteúdos analisados. A violência também atingiu organizações jornalísticas.

Em se tratando de ataques direcionados a jornalistas específicos, as mulheres concentraram 64,8% dos ataques direcionados a jornalistas individualmente identificados durante o primeiro turno.

Foram registradas 2.013 agressões contra profissionais mulheres, entre os 3.106 registros dessa categoria. Além de questionamentos ao trabalho jornalístico, as mensagens incluíram insultos sexuais, ofensas misóginas e incentivo à violência física.

A disputa presidencial concentrou quase 80% dos ataques cujo contexto eleitoral foi identificado pelo monitoramento. 

O relatório destaca que, por trás dos registros, estão situações concretas: profissionais atacados após procurar fontes para uma reportagem, jornalistas submetidas a ofensas misóginas e ameaças, veículos pressionados pela atuação editorial e equipes que precisaram considerar os riscos à própria segurança antes de realizar uma cobertura. 

A violência digital, de acordo com o documento, pode se transformar em uma forma de intimidação de profissionais, com consequências para a segurança da imprensa e a circulação de informações de interesse público.

A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) reúne onze organizações de imprensa, entre elas a Abraji, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), a Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e Repórteres sem Fronteiras. 

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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