A análise feita entre os dias 9 de junho e 20 de julho envolveu as plataformas X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok. O monitoramento englobou contas oficiais das 48 seleções participantes e 1.606 pessoas, sendo 1.248 atletas, 188 treinadores e membros de comissão técnica e 170 oficiais de arbitragem.
Esse serviço tem uma ferramenta que oculta conteúdos indesejados para proteger os participantes em competições realizadas pela organização. De acordo com a federação, 60,7 milhões de mensagens foram veiculadas nas plataformas da Fifa e das seleções no período da Copa. Do total, houve um bloqueio automático de 9,2 milhões de postagens (15%) antes mesmo de elas serem vistas pelo público.
Conforme o monitoramento, um jogador que não teve o nome divulgado foi vítima de mais de 10 mil mensagens abusivas, sendo 40% delas racistas. O atleta em questão também foi alvo de homofobia, sexismo e transfobia. Ainda de acordo com a Fifa, os ataques a ele aumentaram após comentários de cunho racial “feitos por uma figura pública a seu respeito”, que “foram amplamente compartilhados”.
Durante a Copa, a senadora paraguaia Celeste Amarilla ofendeu, pelo X, o atacante Kylian Mbappé. Segundo ela, o capitão da França era “colonizado”, “feio”, não sabia escrever e tentava se passar por um francês – o astro tem pai camaronês e mãe de origem argelina, mas é nascido em Paris.
O relatório também apontou que 15% das publicações revisadas traziam alegações de corrupção – direcionadas, em maior parte, à própria Fifa – e que 14% eram ameaças violentas, com o pico após a vitória da Noruega sobre o Brasil, por 2 a 1, nas oitavas de final. O monitoramento ainda registrou que 12% das postagens continham ataques xenofóbicos.
De acordo com o estudo, a seleção que mais sofreu com ataques foi justamente a da França, especialmente os de cunho racial (33%). No caso da Inglaterra, ofensas racistas e xenofóbicas, somadas, atingiram 21%. Nos dois casos, as postagens questionavam a formação dos elencos, dada a característica multicultural de ambas as seleções.
“Por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da Fifa de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes, com o apoio de tecnologias de última geração capazes de combater tanto os conteúdos criados por pessoas quanto as imagens geradas por inteligência artificial”, disse o presidente da entidade, Gianni Infantino, em comunicado à imprensa.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
